Sabe aquele momento em que a gente repete tanto uma palavra, que ela acaba perdendo o sentindo? A neuropsiquiatria chama esse fenômeno de “saturação semântica”. Curioso, né? Mas este texto não é sobre neurologia e tampouco sobre semântica. É sobre o amor!
Em basicamente qualquer lugar aonde formos, é inevitável ouvir canções falando sobre amor. “É melhor chorar por amor, do que nunca ter amado"; “onde tem ódio, tem amor"; “aceitar essa situação é uma forma de amor”; “vá pro inferno com o seu amor"; “você não sabe o que é amor"... Mas afinal, quem é que sabe?
O amor está em tudo, sempre esteve. Nas novelas, nos livros, no teatro, no rádio... Este sentimento tão sublime e misterioso, que nos assalta como uma súbita tempestade chegando ao cair da madrugada, tornou-se personagem de múltiplas facetas, objeto para composições líricas, inspiração para artistas de todas as épocas, inquietação para filósofos e poetas como Camões, que acreditavam poder encaixá-lo nos moldes de ensaios ou de um soneto.
O amor está em tudo, menos nas pessoas! E, embora nunca se tenha falado tanto em amor quanto hoje em dia, nunca se sentiu menos! Basta observar a indiferença e a gozação com que encaramos situações de racismo, violência, miséria e degradação da vida humana, para concluir-se que o sentido de amor perdeu-se há muito nos roteiros teatrais, nas páginas de romances, nas letras das canções e em discursos políticos vazios e utópicos. Basta lembrar-se de que a orientação sexual de uma pessoa pode vir a ser vista como doença, que o credo professado por alguém pode ser motivo para repúdio e conflito, que a cor da pele e o gênero de um ser humano definem a maneira como este será tratado pela sociedade, para entender que o amor tornou-se apenas uma palavra carente de significado!
É claro que as canções de amor são belas e merecem nossa atenção, que a excelente construção dos poemas românticos vem a prender nossa leitura, e que não é crime algum suspirarmos com cenas de beijo nas telas. Mas sabe o que é lindo mesmo? Tirar todo esse sentimento do papel, da ficção e trazê-lo para a vida, pois é aí que ele está em falta. Lindo é fazer alguém se sentir especial, elogiar quem está à nossa volta, mesmo que seja um desconhecido, entregar flores em vida, distribuir motivos para sorrir.
As palavras são, com efeito, a fonte mais escassa do amor, de modo que os atos, ao contrário destas, ao serem repetidos vão ganhando força e influenciando novos hábitos. Vamos, sim, falar de amor, cantá-lo, escrevê-lo, mas não nos esqueçamos de senti-lo e praticá-lo.
(Luiz Rodrigues)
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Salve, moçada! Espero que tenham realmente gostado do texto! Eu o escrevi pra ser uma mensagem, uma ideia de reflexão, portanto, sintam -se à vontade para compartilhá-lo! Comentem o que acharam, sigam o blog e também nosso Instagram @literariocortico e nossa página no Facebook, Cortiço Literário. Eu volto na quinta com uma resenha de "O Teorema Katherine" para vocês. Fiquem na paz!

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