quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Abra os olhos, por mais que isso doa!

Abra os olhos, por mais que isso doa!
(Luiz Rodrigues)

Os males do preconceito são inegavelmente numerosos, prejudicam a vítima física e psicologicamente, além de agravarem o estado de enfermidade em que se encontra nossa sociedade. Contudo, o preconceito é uma arma que, eventualmente, também atira pela culatra, e não raro deixamos de analisar as consequências refletidas naquele que o prega. Quando estabelecemos noções prévias sobre algo e não nos damos o trabalho de conhecê-lo para retificar ou até ratificar nossas crenças, privamo-nos do acesso a uma visão completamente nova do mundo, enterrando-nos exponencialmente mais fundo no sepulcro da ignorância. Quão grande prejuízo, imagine então o leitor, sofre o infeliz indivíduo que baseia sua lista de leituras em preconceitos literários!
Para fins de compreensão deste texto, definir-se-á preconceito literário como noções extraídas acerca de uma obra ou conjunto delas com base na vida pessoal do autor ou em opiniões emitidas por este quer seja dentro das obras, quer não.
Perdi a conta das vezes em que presenciei o fundamentalismo religioso levando pessoas a negar a enriquecedora leitura de Paulo Coelho unicamente por seu passado, por assim dizer, trevoso e anti-cristão, sem contudo, ler a mais ínfima sinopse de algum de seus livros. É lamentável imaginar que essas pessoas podem nunca entrar em contato, por exemplo, com o estímulo à busca por sua lenda pessoal, elemento deveras recorrente na obra “O Alquimista", que, pessoalmente, considero uma leitura essencial para a formação de qualquer um como ser humano.
Ademais, George R.R. Martin, autor da série “As Crônicas de Gelo e Fogo", alerta-nos, em sua famigerada frase, que um leitor vive mil vidas antes de morrer, enquanto o homem que nunca lê vive apenas uma. Em vista disso, convém observar que muitos se privam de “vidas" pautadas por aventuras, reviravoltas, informações científicas e históricas raríssimas, além do conhecimento detalhado de lugares extraordinários como museus e prédios tombados, simplesmente por discordarem de alguns elementos e opiniões presentes nos livros de Dan Brown – outro conhecido autor submetido às perseguições fundamentalistas.
Para ressaltar o processo de despersonalização inerente ao fazer poético, Fernando Pessoa nos disse que “o poeta é um fingidor". Contudo, o que poucos levam em consideração, é que a atividade da leitura também exige a tarefa de “autodesconstrução”. A literatura é uma praia de nudismo, em que para entrar, você deve se despojar de todo tipo de “vestimenta" preconceituosa, ficando inteiramente nu e livre para aprender novamente, vivenciar novas experiências e confrontar novos conceitos.
É evidente, contudo, que, na prática, defrontar-se com o novo é uma atitude com efeito dolorosa. Não é à toa que damos boas vindas à luz do mundo com um choro gutural, o que, para os shakespearianos dar-se-ia em razão de nos depararmos com um mundo demente; mas, para os adeptos do cientificismo, tal pranto decorreria de, pela primeira vez, sermos apresentados à respiração pulmonar, haja vista que até então nossa progenitora respirara por nós. A respiração é uma atividade democrática no sentido em que não há viva alma que possa criticá-la com um embasamento racional, sendo a mesma, portanto, algo extremamente benigno.
O conceito de viés de confirmação aplica-se a esta discussão, uma vez que se refere ao vício humano em buscar informações e entretenimento tão somente de fontes que tendem a ser concordantes com suas opiniões. Em razão disso, muitos postergam sua “respiração pulmonar" talvez para a eternidade, chegando a um momento da vida em que param e olham para o caminho já percorrido sem entender por que nunca mudaram, por que permanecem estagnados na monotonia da mesma praça, do mesmo banco, do mesmo país.
Um bom leitor é, portanto, aquele que consegue dialogar com todo tipo de texto, absorvendo o melhor que cada um tem a transmitir. Assim sendo, a prática da leitura impera que nos desvencilhemos de preconceitos e busquemos expandir sempre mais o alcance de nossa vista no infinito horizonte das palavras.

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Saudações, meu caros! Como texto de estreia, quis postar algo que nos leva a refletir sobre o quão abertos estamos a novos rumos, novos horizontes, de certa forma para prepará-los em relação à resenha do livro "Origem", do Dan Brown, que pretendo postar na Terça-Feira. Além do mais, essa mensagem promovendo a tolerância e a aceitação ao novo é bem vinda em todas as ocasiões. Espero ter sido claro com minhas palavras. Garanto que meus textos, em geral, têm a linguagem um pouco mais leve (risos). Então é isso, pessoal, espero que tenham gostado, comentem, compartilhem, inscrevam-se no can... ops, no Blog! A gente se fala!

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