sábado, 24 de março de 2018

Resenha do livro “Anjos e Demônios”, de Dan Brown


“Anjos e Demônios” (2000) é um livro escrito pelo inigualável autor norte-americano Dan Brown, sendo o primeiro a narrar uma aventura de Robert Langdon. Foi publicado no Brasil em 2004 pela então editora Sextante, atual Arqueiro.

O livro tem início apresentando Robert Langdon ao leitor. O referido é professor de Simbologia e História da Arte em Harvard, além de nadador por hobbie e portador de claustrofobia. No limiar da narrativa, Langdon é acordado por uma ligação da Suíça, convocando-o a comparecer à Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) para analisar o assassinado de um importante cientista dessa organização, que buscava, por meio de suas pesquisas, unir ciência e religião – dois polos sempre vistos como opostos e inconciliáveis. Mas o que um professor de simbologia teria a ver com o assassinato de um cientista? Simplesmente porque no peito do morto fora marcado em ferro um ambigrama* com a palavra *Illuminati", uma antiga sociedade secreta da qual participaram cientistas e artistas renomados, como Galileu e Bernini; e Langdon publicara um livro com pesquisas sobre esta ordem.

Chegando ao centro de pesquisas na Suíça, Langdon fica chocado com a visão do corpo do cientista Leonardo Vetra, confirmando o que não queria acreditar: os Illuminati ainda estavam ativos e estavam se manifestando novamente. Os motivos do atentado pareciam muito óbvios: uma perseguição religiosa, tendo em vista que Vetra era, além de estudioso, um padre católico, e os Illuminati eram declaradamente inimigos da Igreja. Com a chegada da filha adotiva do falecido, Vittoria Vetra, Langdon e o diretor do CERN, Maximillian Kohler perceberam que havia muito mais com o que se preocupar. Fora constatado o roubo da última das pesquisas de Leonardo Vetra, uma tecnologia capaz de aniquilar uma cidade inteira, a antimatéria.

Concomitantemente, o Vaticano, em pleno processo de conclave após a morte do último Papa, detecta a presença de um objeto estranhamente ameaçador escondido em algum local de seu território, o tubo de antimatéria. Neste momento, os planos dos Illuminati começam a parecer mais claros: em pleno momento de fragilidade da Igreja, pretendem destruir sua sede, de modo a fazer ascender uma Nova Ordem Mundial. Quando o CERN é notificado, Langdon e Vittoria partem para o Vaticano, afim de encontrar a antimatéria e levá-la de volta para o CERN antes que a contagem regressiva do tubo que a contém chegue a zero, e ela exploda, matando todos os cardeais católicos reunidos.

Paralelamente, também terão de seguir o enigmático Caminho da Iluminação a fim de localizar um iminente assassino.
A história, desenrolada sobre uma corrida contra o tempo, é repleta de ação, suspense, mistério, História e reviravoltas extremamente impressionantes! Como os Illuminati sempre tiveram a fama de se infiltrar em instituições, a narrativa é pautada por recorrente desconfiança entre todos os personagens. Além disso, como é característica de Dan Brown, é possível aprender bastante sobre a história das sociedades secretas, de obras artísticas, pontos turísticos e da própria Igreja Católica durante a leitura de Anjos e Demônios.

A narração, como de costume, dá-se em terceira pessoa e é disposta em capítulos com eixos narrativos alternados, o que dá uma atmosfera cinematográfica ao livro é aguça ainda mais a ansiedade e curiosidade do leitor. Dan Brown trabalhou magistralmente a história de vida de cada personagem, suas motivações, aptidões, convicções e experiências, de maneira que tudo corroborasse com o final que ele deu à obra. Comparando Anjos e Demônios (primeira história envolvendo Robert Langdon) com Origem (livro mais recente do autor, que, a propósito, já tem resenha no blog), nota-se facilmente que na obra em pauta, a escrita de Brown ainda era relativamente incipiente e imatura, mas isso nem de longe é capaz de ofuscar a excelência com que ele exprime seu talento para criar tramas. Ainda, se os leitores me permitem, eu gostaria de citar as palavras de uma amiga minha, quando ela disse que ao final do livro, o leitor se sente verdadeiramente enganado pelo autor.

Dependendo da edição, o leitor poderá encontrar imagens relativas às obras e pontos turísticos citados no decorrer da história, para que possa ter uma experiência mais real. Além disso, todas as edições trazem ilustrações dos ambigramas que surgem no enredo. A capa brasileira é bastante simples, como é costume em todas as edições dos livros de Brown, mas me chamou atenção a capa original, com o título em ambigrama, de modo que ela pode ser observada igualmente mesmo que virada de ponta-cabeça, dialogando inteligentemente com o conteúdo da obra.

As críticas ao livro são as de sempre: uma fórmula preestabelecido e excesso de detalhes. Sob meu ponto de vista, essa fórmula não me incomoda, uma vez que Dan Brown consegue preenchê-la com dados históricos e científicos extremamente intrigantes e uma narrativa indiscutivelmente envolvente, criando reviravoltas que fazem o leitor se sentir esbofeteado. Além disso, como eu já disse na resenha de Origem, são necessários detalhes ricos para se descreverem obras e locais ricamente construídos. Ademais, se você procura por uma dose de adrenalina em forma de palavras, uma história surpreendente e envolvente que não te deixa em paz enquanto você não a termina, Anjos e Demônios é mais do que recomendado.

E você, leitor? Já leu Anjos e Demônios? Sentiu vontade de lê-lo? O que achou da resenha? Sua opinião é muito importante, deixe um comentário para que possamos dialogar e debater nossas impressões sobre o livro. Um forte abraço, e até o próximo texto!

*Ambigrama é uma representação gráfica de uma palavra que pode ser vista estacionada ou invertida horizontalmente com a mesma fonética ou representação visual.

Luiz Rodrigues



terça-feira, 13 de março de 2018

Alma Tempestuosa - AlanaBelloli

Alma Tempestuosa - Alana Belloli

Algumas vezes sou ensolarada, como o dia mais bonito para se ir a praia, sou gentil, alegre, inocente.
Em outras, uma garoa, aquela que crianças adoram brincar sob ela, um dia perfeito para ler um livro enquanto se toma uma xícara de café fumegante.
Mas na maioria das vezes sou uma tempestade, aquelas incontroláveis, que acabam com tudo que tem ao seu redor.
Se me questionarem sobre qual prefiro ser, responderei com toda minha convicção: prefiro ser a tempestade.
Sou a tempestade por que assim como ela não posso ser controlada, existe uma confusão no meu interior, que me impede de ser apenas normal, preciso ser algo extraordinário, que as pessoas não compreendem, que causa muitas vezes a destruição, mesmo sem querer, algo que muitos temem, mas que me acalma.
Quando olho para uma tempestade tudo que vejo é um reflexo do turbilhão que há dentro dos meus pensamentos, no meu coração, ela me inspira a escrever, querer viver, lutar pelas coisas, temer algo, amar incondicionalmente...
Os dias ensolarados podem ser os melhores para alguns, mas por mais incrível que seja ele chega ao fim assim que a lua surge no céu, a garoa são apenas pequenas gotas de água que podem originar tanto um céu limpo quanto um nublado e a tempestade, ela sempre deixa suas marcas, mesmo quando ela passa e um céu azul aparece as pessoas não esquecem facilmente dela e é assim que quero ser, amada por uns, temida por outros e lembrada por todos.
**************

Esse é um poema/texto que expressa como me sinto internamente, e sei que muitos vão se identificar, por isso não exitem em compartilha, ele está disponível no meu livro Estilhaços de Mim, no perfil AlanaBelloli.
Espero que tenham gostado e até a próxima. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Poema: "Soneto aos teus anos", por Luiz Rodrigues



Salve, moçada! Vocês já participaram de algum concurso literário? Eu já participei de alguns e hoje quero compartilhar com vocês o poema que me rendeu o primeiro lugar no I Concurso de Poesia São Pedro da Aldeia, na modalidade infanto-juvenil. Foi um certame de nível nacional, para o qual eram válidos apenas poemas com a temática de aniversário.


Compus o seguinte poema pensando na minha namorada, de modo que na última estrofe há referência ao mês de nascimento dela - junho.


Sem mais perambular, apreciem a leitura. Espero que gostem!


SONETO AOS TEUS ANOS


Vendo o sorriso dest’alma donzela

Mais uma volta em si completar,

Maturidade, tributo a ela

Não poderia deixar de pagar.


Mudaste a ti e ao próprio rio

Que a tuas pétalas fizera crescer;

Quatro estações, e meu olho viu

O lindo sonho que é teu florescer.


E mesmo estando em euforia

Com o teu brilho de alegria,

Insisto em me sentir banal


Por não poder ofertar ouro,

Mas não importam os junhos vindouros

Nestes meus versos te fiz imortal.


(Luiz Rodrigues)

domingo, 4 de março de 2018

Resenha do livro “O Teorema Katherine”, de John Green.

(Créditos da imagem)

“O Teorema Katherine” (2006) é o segundo livro do autor estadunidense John Green, publicado no Brasil em 2013 pela Editora Intrínseca.

A história gira em torno de Colin Singleton, um “garoto prodígio em fim de carreira”, viciado em fazer anagramas com as palavras mais corriqueiras e que já namorou 19 garotas chamadas Katherine. Passando por uma crise de fim do Ensino Médio, o jovem empenha-se em se tornar um gênio, tendo em vista que ele se desespera ao imaginar que talvez nunca mais volte a ser aquele garoto aclamado entre colegas e professores. Portanto, ele decide que precisa ter seu momento “eureca”, o que desembocará em uma memorável contribuição para a sociedade, e, indiscutivelmente, o consagrará como um gênio.

Tendo como pano de fundo essa neurose, Colin leva um fora de sua décima nona Katherine, pois, segundo ela, ele “não precisa de uma namorada, e sim de um robô que o admire e só saiba dizer ‘eu te amo’”. Encontrando-o em profundo estado de decadência, seu amigo Hassan – um árabe gordinho, que leva tudo na brincadeira – sugere que eles caiam na estrada, a fim de que Colin possa superar a dor causada pelo rompimento com Katherine XIX. A contragosto de seus pais, o menino aspirante a gênio sai sem rumo com o amigo, indo parar em uma pequena cidade do Tenessee, onde conhecerão uma garota chamada Lindsay Lee Wells, sua mãe, Hollis, que os oferecerá um emprego, e todo um nicho de personagens, que serão importantes para o desenrolar da narrativa.

Nessa situação, Colin decide qual será seu momento “eureca”: a criação de um teorema para prever quanto tempo um relacionamento pode durar, o Teorema de Previsibilidade das Katherines. Dessa forma, entre o emprego, que consiste em entrevistar moradores da cidade, a criação do Teorema, e uma trama surpreendente que se desenvolverá entre os personagens, John Green constrói mais uma excelente história, como não poderia ser diferente.

Durante a leitura, para quem conhece John Green, a narrativa relativamente imatura e pueril denuncia facilmente que este é um de seus primeiros trabalhos. Contudo, tal traço de maneira alguma diminui a qualidade da obra, que, a meu ver, é uma das mais profundas e poéticas do autor.
Além disso, é muito fácil perceber que se trata de um trabalho característico de John Green, não só pelo recorrente tom de sarcasmo, mas pela personalidade marcante, que ele coloca em tudo que escreve. As histórias desse autor, por excelência, jamais começam na primeira página, mas muito antes disso: os personagens possuem piadas internas, histórias de vida, elementos bastante realísticos. Um exemplo claro é a palavra “fug/fugging/fugger", que Colin e Hassan utilizam para substituir o viciante palavrão coringa da língua inglesa (leia-se do inglês americano), e cuja explicação é esclarecida com o decorrer da história. Mark Twain dizia que um escritor empresta aos seus personagens traços de sua própria personalidade. Chego a ficar extasiado com tamanha bagagem cultural e intelectual que John Green emprega nos seus protagonistas. Além do mais, o livro é recheado de pequenos detalhes que nem sempre contribuem para a história em si, mas acrescentam na peculiaridade desta.

Apesar de Colin ser retratado de uma forma bastante irreal (um garoto de dezessete anos fluente em doze idiomas, que lê quatrocentas páginas por dia, entende de todos os assuntos...), existe nele um ponto em comum com a maioria dos leitores: a aflição de querer fazer algo de importante, de querer ser lembrado. Essa característica também me fez lembrar bastante de Augustus Waters, nosso eterno Gus de “A Culpa é das Estrelas”. Há, de fato, diversos paralelos que, para leitores atentos, fazem ligações claras com personagens e ideias de outros livros do autor, como “Cidades de Papel” e “Quem é Você, Alasca?” (já tem resenha deste no blog 😉).

A narração se dá em terceira pessoa, porque, como disse o próprio autor, o livro "precisava ser escrito em terceira pessoa, pois é sobre um garoto que tem um cérebro que não gosta de narrativas, e tem dificuldades para contar histórias de maneira que outras pessoas achem interessante." Ademais, o livro é recheado com notas de rodapé contendo curiosidades e esclarecimentos a respeito das observações inteligentes de Colin. A história é disposta em 19 capítulos – fazendo uma referência às 19 Katherines da vida de Colin –, cuja narração não é linear, fazendo paralelos entre o presente e as experiências passadas do garoto com as Katherines.

Honestamente, “O Teorema Katherine” é um livro de amor e ódio. Ou seja, antes de lê-lo, ouvi pessoas dizendo que o amaram, e outras alegando  não terem entendido a ideia que o autor quis transmitir, achando a leitura arrastada e desnecessária. Confesso que fiquei com medo de não gostar do livro, mas simplesmente o adorei! Li em pouquíssimo tempo, achei a leitura muito leve e prazerosa. Acredito que foi um ótimo descanso mental entre várias leituras para a faculdade. Recomendo que não leiam este livro esperando a movimentação de “Cidades de Papel” (pois a história se ambienta basicamente em um único lugar), nem a emotividade de “A Culpa é das Estrelas”. “O Teorema Katherine” é uma história única, e, como tal, não deve ser objeto de comparações.

No mais, trata-se de um livro extremamente recomendável, que somará bastante na personalidade e na bagagem literária do leitor. Boa leitura!

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E você, caro leitor? Já leu este livro? O que achou? Ficou com vontade de ler? Deixe sua opinião nos comentários! Nos vemos em breve com mais um texto!

(Luiz Rodrigues)