(Créditos da imagem)
“O Teorema Katherine” (2006) é o segundo livro do autor estadunidense John Green, publicado no Brasil em 2013 pela Editora Intrínseca.
A história gira em torno de Colin Singleton, um “garoto prodígio em fim de carreira”, viciado em fazer anagramas com as palavras mais corriqueiras e que já namorou 19 garotas chamadas Katherine. Passando por uma crise de fim do Ensino Médio, o jovem empenha-se em se tornar um gênio, tendo em vista que ele se desespera ao imaginar que talvez nunca mais volte a ser aquele garoto aclamado entre colegas e professores. Portanto, ele decide que precisa ter seu momento “eureca”, o que desembocará em uma memorável contribuição para a sociedade, e, indiscutivelmente, o consagrará como um gênio.
Tendo como pano de fundo essa neurose, Colin leva um fora de sua décima nona Katherine, pois, segundo ela, ele “não precisa de uma namorada, e sim de um robô que o admire e só saiba dizer ‘eu te amo’”. Encontrando-o em profundo estado de decadência, seu amigo Hassan – um árabe gordinho, que leva tudo na brincadeira – sugere que eles caiam na estrada, a fim de que Colin possa superar a dor causada pelo rompimento com Katherine XIX. A contragosto de seus pais, o menino aspirante a gênio sai sem rumo com o amigo, indo parar em uma pequena cidade do Tenessee, onde conhecerão uma garota chamada Lindsay Lee Wells, sua mãe, Hollis, que os oferecerá um emprego, e todo um nicho de personagens, que serão importantes para o desenrolar da narrativa.
Nessa situação, Colin decide qual será seu momento “eureca”: a criação de um teorema para prever quanto tempo um relacionamento pode durar, o Teorema de Previsibilidade das Katherines. Dessa forma, entre o emprego, que consiste em entrevistar moradores da cidade, a criação do Teorema, e uma trama surpreendente que se desenvolverá entre os personagens, John Green constrói mais uma excelente história, como não poderia ser diferente.
Durante a leitura, para quem conhece John Green, a narrativa relativamente imatura e pueril denuncia facilmente que este é um de seus primeiros trabalhos. Contudo, tal traço de maneira alguma diminui a qualidade da obra, que, a meu ver, é uma das mais profundas e poéticas do autor.
Além disso, é muito fácil perceber que se trata de um trabalho característico de John Green, não só pelo recorrente tom de sarcasmo, mas pela personalidade marcante, que ele coloca em tudo que escreve. As histórias desse autor, por excelência, jamais começam na primeira página, mas muito antes disso: os personagens possuem piadas internas, histórias de vida, elementos bastante realísticos. Um exemplo claro é a palavra “fug/fugging/fugger", que Colin e Hassan utilizam para substituir o viciante palavrão coringa da língua inglesa (leia-se do inglês americano), e cuja explicação é esclarecida com o decorrer da história. Mark Twain dizia que um escritor empresta aos seus personagens traços de sua própria personalidade. Chego a ficar extasiado com tamanha bagagem cultural e intelectual que John Green emprega nos seus protagonistas. Além do mais, o livro é recheado de pequenos detalhes que nem sempre contribuem para a história em si, mas acrescentam na peculiaridade desta.
Apesar de Colin ser retratado de uma forma bastante irreal (um garoto de dezessete anos fluente em doze idiomas, que lê quatrocentas páginas por dia, entende de todos os assuntos...), existe nele um ponto em comum com a maioria dos leitores: a aflição de querer fazer algo de importante, de querer ser lembrado. Essa característica também me fez lembrar bastante de Augustus Waters, nosso eterno Gus de “A Culpa é das Estrelas”. Há, de fato, diversos paralelos que, para leitores atentos, fazem ligações claras com personagens e ideias de outros livros do autor, como “Cidades de Papel” e “Quem é Você, Alasca?” (já tem resenha deste no blog 😉).
A narração se dá em terceira pessoa, porque, como disse o próprio autor, o livro "precisava ser escrito em terceira pessoa, pois é sobre um garoto que tem um cérebro que não gosta de narrativas, e tem dificuldades para contar histórias de maneira que outras pessoas achem interessante." Ademais, o livro é recheado com notas de rodapé contendo curiosidades e esclarecimentos a respeito das observações inteligentes de Colin. A história é disposta em 19 capítulos – fazendo uma referência às 19 Katherines da vida de Colin –, cuja narração não é linear, fazendo paralelos entre o presente e as experiências passadas do garoto com as Katherines.
Honestamente, “O Teorema Katherine” é um livro de amor e ódio. Ou seja, antes de lê-lo, ouvi pessoas dizendo que o amaram, e outras alegando não terem entendido a ideia que o autor quis transmitir, achando a leitura arrastada e desnecessária. Confesso que fiquei com medo de não gostar do livro, mas simplesmente o adorei! Li em pouquíssimo tempo, achei a leitura muito leve e prazerosa. Acredito que foi um ótimo descanso mental entre várias leituras para a faculdade. Recomendo que não leiam este livro esperando a movimentação de “Cidades de Papel” (pois a história se ambienta basicamente em um único lugar), nem a emotividade de “A Culpa é das Estrelas”. “O Teorema Katherine” é uma história única, e, como tal, não deve ser objeto de comparações.
No mais, trata-se de um livro extremamente recomendável, que somará bastante na personalidade e na bagagem literária do leitor. Boa leitura!
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E você, caro leitor? Já leu este livro? O que achou? Ficou com vontade de ler? Deixe sua opinião nos comentários! Nos vemos em breve com mais um texto!
(Luiz Rodrigues)

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